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Avempace, o exímio precursor da Filosofia no al-Andalus

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Avempace, como reza a denominação latinizada, foi talvez o primeiro filósofo de inequívoca categoria a revelar-se no Al-Andalus. Nascido no reino taifa de Saragoça por volta de 1085, não demorou muito a deixar influenciar-se pelo pensamento de autores helénicos tais como Platão ou Aristóteles (aliás, terá traduzido algumas obras deste último, além de ter efectuado comentários). Com o nome árabe de Ibn Bâjja (ou Ibn Bajjah), este erudito abriu novas luzes em vários campos do conhecimento tais como a filosofia, a medicina, a matemática, a astronomia, a botânica e até a própria música. Por outras palavras, assumiria uma vocação intelectual digna de um verdadeiro polímata. No entanto, e como já havíamos referido, seria certamente na área da filosofia onde o seu contributo seria mais evidente e até mesmo decisivo. PEDRO HENRIQUES De acordo com Josép Puig Montada, investigador de filologia da Universidade Complutense de Madrid, o desenvolvimento inicial das matérias filosóficas no seio da...

Arte mudéjar: o Castelo do Alandroal

O castelo do Alandroal é um bom exemplo da arte mudéjar no Alentejo, na medida em se trata de uma fortificação encomendada por elites cristãs a um alvanél ou arquitecto de origem islâmica. Esta fortificação foi mandada edificar, em finais do século XIII (1298), pela Ordem militar de Avis, durante o reinado de D. Dinis (1279-1325).Trata-se de uma construção que utiliza o xisto da região, embora em alguns pontos se detecte a utilização de tijolo e mármore. O seu arquitecto ou alvanél foi o mestre “Mouro Calvo” a quem, curiosamente, os senhores da vila e do castelo permitiram a colocação, numa esquina da torre da direita de uma das portas da fortificação, de uma lápide onde, além de o construtor se identificar, utiliza, no final dessa lápide, uma expressão equivalente à divisa dos reis nasrís de Granada mas transcrita em caracteres latinos. A inscrição é curiosa, na medida em que depois de algumas frases em português medieval, termina com a seguinte afirmação: "LEGA...

Os mouros da Madeira e dos Açores

"Que tem a terra dos Açores a ver com tudo isto? Ibn al-Faqih al-Hamadani, o já citado autor, ao falar, no seu livro “Resumo do Livro dos Países, das Ilhas Aventuradas”, referia-se, como hoje geralmente é aceite pelos arabistas, aos Açores, Madeira e Canárias. Outro aspecto, esse indiscutível, é a impressão árabe deixada nestas ilhas, banhadas de nevoeiro e mito, por força da expansão portuguesa. Segundo um dos maiores arabistas espanhóis, Asin Palácios, o próprio topónimo “Açores”, não se deve às aves, mas sim ao vocábulo árabe que significa “os mouros”. A ser assim, que mouros teriam existido nos Açores? Luís da Silva Ribeiro na sua monografia “Formação Histórica do Povo dos Açores”, corroborando a influência árabe na formação do património étnico açoriano, louva-se na observação de Gaspar Frutuoso, que afirmou terem sido árabes os primeiros habitantes da Ilha de S. Miguel, referindo-se até a dois regentes mouriscos, um proveniente de África e outro, que ficou famoso, Jorge Vel...

Cláudio Torres: D. Afonso Henriques não conquistou Lisboa aos mouros, foi aos cristãos

Carlos Torres e Alexandre Azevedo, SÁBADO 23/02/2018 O arqueólogo, especialista em cultura islâmica, desfaz vários mitos da História. Defende que não houve invasões muçulmanas em massa na Pensínsula Ibérica. "As coisas não foram bem assim. A arqueologia tem uma linguagem diferente da história escrita", conta. "A história escrita é escrita por aqueles senhores que sabem escrever, enquanto a arqueologia vai buscar os restos dos que não sabem escrever. São coisas habitualmente contraditórias. Hoje sabemos, por causa da arqueologia, que não houve nenhuma invasão em 711, não vieram exércitos nenhuns. As grandes religiões do Mediterrâneo, o judaísmo, o cristianismo, o islão, que vieram da zona do actual Líbano e Israel, obviamente que não são nunca impostas pelas armas. São religiões de salvação, a sua força tem a ver com o Além. Quer dizer, as pessoas aqui vivem na miséria, são dominadas pelos ricos, mas a sua vingança é depois da morte. Aí, eles é que man...

Garcia de Orta, Goa (c. 1500-1568)

Há 450 anos foi o primeiro médico europeu a escrever um livro sobre as plantas medicinais do Oriente. "Colóquios dos simples, e drogas he cousas mediçinais da Índia" foi publicado a 10 de abril de 1563, em Goa, onde Garcia de Orta viveu e onde viu o seu livro tornar-se no primeiro best-seller português. Fugindo às fogueiras da Inquisição, que já se perfilavam no horizonte ameaçando obscurecer o céu azul da cosmopolita Lisboa do século XVI, o jovem médico Garcia de Orta, natural de Castelo de Vide, filho de judeus sefarditas espanhóis, embarca para a Índia no dia 12 de março de 1534, na armada de cinco naus comandada por Martim Afonso de Sousa, futuro vice-rei das Índias. Parte no total anonimato – os cronistas da época nem sequer registam o seu nome entre os tripulantes –, no entanto, o ex-professor universitário da Universidade de Lisboa conquistará a fama imortal ao escrever um dos primeiros best-sellers renascentistas: Colóquios dos simples, e droga...

Sufismo: a importância dos carismas e prodígios na obra de Ibn Al Arif

Por volta de 1109, inicia-se uma perseguição contra alguns sufis do al-Andalus, com a queima das obras de Abū Ḥāmid al-Ghazālī (m. 1111). Marraquech tornara-se uma cidade de repressão anti-almorávida e é neste contexto que surgem alguns movimentos, de entre os quais o movimento muridínico levado a cabo por Ibn Qasī (m.1151), nascido em Silves, no Algarve contra os almorávidas. Nesta época, os místicos mais afamados eram precisamente Ibn Barraŷān de Sevilha, conhecido como Al-Gazālī de al-Andalus, Ibn al-‘Arīf de Almería, considerado o representante máximo do Sufismo no al-Andalus, e Ibn Qasī de Silves. Ibn al-‘Arīf destacou-se através das obras Mahāsin al-majālis (Esplendores dos Ensinamentos Sufis), onde refere as diferentes etapas do caminho espiritual e Miftāḥal-sa’āda wataḥqīq ṭarīq al-sa’āda (A Chave da Felicidde e a Realização do Caminho Espiritual do Êxtase), onde o autor apresenta algumas orações, textos de exegese corânica e ciência religiosa, teologia e etapas ...