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Iraniano que se tornou cristão vê Reino Unido recusar-lhe asilo. Motivo: o cristianismo não é mais pacífico que o Islão...

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Iraniano que se tornou cristão vê Reino Unido recusar-lhe asilo. Motivo: o cristianismo não é mais pacífico que o Islão... LUÍS M. FARIA / EXPRESSO O Ministério do Interior britânico recusou o pedido de asilo apresentado por um iraniano dizendo que o motivo por ele apresentado - o risco de perseguição que corria por se ter convertido ao cristianismo depois de perceber que era uma religião pacífica - não tinha fundamento. Para sustentar a recusa, o Ministério refere passagens de livros da Bíblia como o Êxodo, o Levítico e o Apocalipse, que supostamente indicam a natureza violenta do próprio cristianismo. Numa das passagens citadas, retirada do Levítico, o autor escreve: "Perseguirás os teus inimigos, e cairão pela espada à tua frente. Cinco de vocês perseguirão uma centena, e cem perseguirão dez mil". Noutra, do Êxodo, lê-se: "Quebra os seus altares, esmaga as suas pedras sagradas". Para já não falar do Apocalipse, que abunda em imagens ...

"Perdoo o assassino da minha mulher"

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Husna Ara Parvin, de 42 anos, morreu baleada quando foi em socorro do marido paraplégico, Farid Ahmad, na mesquita Al Noor, em Christchurch. Foi uma das quatro mulheres assassinadas no ataque terrorista na Nova Zelândia, perpetrado por um supremacista branco australiano, Brenton Tarrant, informa a France Presse. “Não lhe guardo mais rancor. Perdoo-o”, disse Ahmad do autor do massacre. “Guardo-lhe amor e compreensão como ser humano, apesar do que ele fez. Nada na vida é melhor que o perdão, a generosidade, o amor ao próximo”. O casal emigrou do Bangladesh para a Nova Zelândia em 1994, onde teve uma filha. Ahamad ficou paraplégico depois de ser atropelado por um condutor alcoolizado em 1998. Como fazia todas as sextas-feiras, Husna levava o marido à mesquita por volta do meio-dia. Quando começou o tiroteio encontrava-se na zona da mesquita reservada às mulheres. Imediatamente ajudou outras mulheres e crianças a sair do edifício. Depois, correu em direcção à zona onde os homens rez...

Israel, direitos LGBT e a Eurovisão do Apartheid

Caro telespectador, quando amanhã assistir à final portuguesa do Festival da Eurovisão, dois milhões de pessoas estarão a enlouquecer numa tirinha de terra, cercadas por ar, mar e terra, regularmente bombardeadas, alvejadas, feridas, mortas por Israel. Enlouquecer, aqui, é literal, diagnóstico dos peritos. E quem não enlouqueceria quando já nasceu preso, filho de preso, neto de preso, para se tornar pai ou mãe de presos apenas por ser palestiniano? Sim, esses milhões de pessoas em Gaza, e outros milhões mais, na Cisjordânia, em Jerusalém Leste, em campos de refugiados a toda a volta, estarão a passar mais uma noite das suas vidas desfeitas quando Portugal estiver a assistir ao Festival da Cançao, depois de nos últimos dias ter delirado com Conan Osíris e o seu dançarino no hit-drama queen do telemóvel partido. Este Festival da Eurovisão é político, como tudo o que envolva Israel. E o governo de Israel vai fazê-lo render como política em cada detalhe.  Cantar, ...

Reinterpretar a nossa fé para vencer os terroristas

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O Islão, como qualquer outra fé, é sobre como sermos melhores seres humanos. É mostrar amor, empatia e solidariedade para com os outros. É minha opinião que, como muçulmanos, devemos ter a coragem de desafiar a ideia de que o Alcorão ou a Suna são infalíveis. Claro que isso choca aqueles entre nós que fomos educados a ver o Alcorão como a própria palavra de Deus, incontestável e perfeita. Enquanto não admitirmos que o Alcorão pode bem ser divinamente inspirado, mas foi escrito pela mão de um homem, continuaremos a ser peões no jogo dos fundamentalistas, e não estaremos a usar a única arma de que dispomos e que os pode derrotar - a razão. Só então libertaremos o Islão das amarras do dogmatismo em que o encerrámos. Reinterpretar a nossa fé para vencer os terroristas HASSAN RADWAN Falamos muito sobre reformar e reinterpretar o Islão nestes dias, de modo a combater as ideias extremistas de grupos terroristas como o ISIS. Interpretações mais liberais e progressi...

O mistério da Batalha de Ourique

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A chamada Batalha de Ourique, pelo significado que encerra e pelas características simbólicas a que está associada, é a principal lenda épica da história portuguesa. Passados que estão 879 anos do conflito que terá oposto a cruz de Cristo aos seguidores do islão, as conjecturas, hipóteses ou meras suposições persistem em manter a famosa batalha como “um dos pontos mais incertos e falíveis da história de Portugal”, realça Jorge Alarcão, no ensaio Ourique – O Lugar Controverso. A lenda sobre a fundação que subordinava Portugal à protecção divina, assim como os contornos míticos da batalha, foi posta em causa, a partir de meados do século XIX, pelo historiador Alexandre Herculano. O escrutínio sobre o acontecimento de Ourique levantou forte “polémica sobre a historicidade e a validade da tradição da aparição de Cristo a Afonso Henriques nos alvores da nacionalidade”, analisa a historiadora Ana Isabel Buescu. A crítica “dissolvente” com que Herculano ...

O culto dos promontórios em Portugal

A divinização de montes e promontórios inicia-se em tempos pré-históricos, com a qualificação dos primeiros espaços sagrados ou a erecção dos primeiros santuários, com o culto a ser sucessivamente reactualizado por romanos, cristãos e muçulmanos.  No mundo ocidental, e com a romanização, assistir-se-á não raras vezes à assimilação ou identificação desses antigos cultos a divindades romanas, num processo de interpretatio que os gregos já haviam aplicado e que os cristãos irão prosseguir e ampliar, reocupando e reconvertendo os velhos santuários pagãos, ou adaptando antiquíssimos ritos, para os atribuir à nova fé. Com o domínio islamita da Península assiste-se à implantação de ribatat, pequenos cenóbios-fortaleza ou conventos habitados por confrarias de homens santos guerreiros que buscavam a iluminação interior, destinados à oração, à defesa e à expansão militar do Islão (djihâd), normalmente associados a uma mesquita ou oratório e a um espaço de estudo religioso (mad...

Arabismos e traduções árabes em meios luso-moçárabes

Houve em Portugal alguns notáveis tradutores e estudiosos da filosofia e da ciência trazida pelos árabes, hoje esquecidos ou simplesmente desconhecidos, ainda “por redimir” pela historiografia portuguesa, ao contrário do que já sucede há muito tempo em Espanha. “A cultura “moçárabe” lusa não foi tão indigente como até aqui parecia”, escreve o investigador Adel Sidarus neste ensaio. “Talvez tivesse sido apenas abafada pela corrente franco-romana que se conseguiu impor em toda a linha. Resta tentar desencantá-la e dar-lhe o lugar que merece, inclusive no quadro geral do movimento de traduções medievais do legado científico-filosófico árabe”. Os mais conhecidos viveram entre os sécs XII e XIV e serão João de Sevilha e de Lima (cujas traduções de vários tratados científicos árabes foram patrocinadas por D. Teresa, mãe de Afonso Henriques, o primeiro rei português); Frei Gil de Santarém, que traduziu várias obras medicinais e farmacológicas, entre as quais o célebre tratado do médico árab...