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Como o Sionismo vai destruir a fé judaica

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     AMANDA GELENDER/MEE Israel roubou e apropriou-se de símbolos judaicos que nos são caros, politizando-os e transformando-os em símbolos de um genocídio patrocinado pelo Estado. Os palestinianos continuam a sofrer com o que resta do colonialismo ocidental, sob o pretexto de salvaguarda do povo judaico. Depois dos palestinianos, a próxima vítima do sionismo é a própria fé judaica. Israel e os sionistas do mundo inteiro utilizam símbolos judaicos como armas para intimidar, humilhar e reclamar aquilo que consideram seu. Num caso, soldados israelitas marcaram o rosto de um prisioneiro palestiniano com a Estrela de David. As forças israelitas obrigam os palestinianos raptados, com os olhos vendados, a agitar ou a usar a bandeira israelita - com uma estrela de David azul - gravando a humilhação em vídeo para divulgação online, para que os sionistas se juntem à chacota. Os israelitas provocam os palestinianos com vivas de "Feliz Hanukkah" enquanto lançam ataques aéreos contra...

Nida Ibrahim: “Onde está a fúria dos jornalistas de todo o mundo?”

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 Os repórteres de fora estão impedidos de entrar em Gaza e os jornalistas locais vivem “o desafio impossível de relatar a história enquanto são mortos à fome, deslocados e bombardeados”, escreve Alexandra Lucas Coelho, no Público. Conta Nida Ibrahim, correspondente da Al Jazeera: "O que me incomoda mais é que a história está a ser reescrita para começar a 7 de Outubro. O ponto é: precisamos de entender porque isto acontece para que seja parado. Se alguém está interessado em parar isto, devia ver como Israel está a apropriar-se de terra palestiniana e ninguém fez nada. Como as pessoas estão a ser mortas a sangue frio. Como um jornalista, Muath Amarneh, perdeu um olho enquanto cobria um protesto e foi baleado. E ainda foi preso depois de 7 de Outubro. Isso ajudaria o mundo a entender a dor, a raiva dos palestinianos. Mas acho que o mundo não quer ouvir. Quer ficar na ideia dos selvagens, terroristas. E os israelitas estão na sua bolha. Não nos vêem. Puseram-nos atrás de um...

Vestígios Vitícolas Islâmicos

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O consumo de vinho, a dado momento interditado pelo Alcorão, nunca terminou durante a conquista e presença islâmica na Península Ibérica - mesmo quando a maior parte da população estava já convertida ao Islão. Pareciam não faltar excessos de consumo, que escandalizavam os visitantes vindos do Oriente e do Norte de África, mesmo entre os soberanos locais, os emires e os reis das Taifas (reinos dissidentes). O emir Abu’l‑’Asi Al‑Hakam I, que reinou entre 206 e 238 A. H. <> 822‑852 d. C., «para repousar das fadigas da guerra, sem respeito pelas disposições do Alcorão, entregava‑se a faustosos banquetes em que corriam abundantes vinhos generosos». A vinha continuou a ser cultivada e o vinho a ser especificamente referido, como mostram, por exemplo, poemas de Al‑Um’tamid ’Ala’llah, rei da Taifa de Sevilha, entre 461 e 484 A.H. <> 1069‑1091 d. C., o qual, na juventude, viveu em Silves . Poetas desse tempo, como Ibn Jafaya, A Rusafi, ibn Labbun, descrevem copos de vinho e cálices ...

Viagem na Cisjordânia - Graça Castanheira

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  Durante a preparação da entrevista que fiz a Suad Amiry, que já aqui referi, viajei com a minha equipa pela Cisjordânia, guiados pela jornalista Enas M., palestiniana com passaporte judeu. Pedi-lhe que me fizesse ver, da forma mais detalhada possível, como é que se processava a ocupação de Israel no terreno e que impacto concreto tinha no quotidiano dos palestinianos. Do meu ponto de vista, enquanto realizadora, faltavam ao conflito israelo-palestiniano narrativas assentes na realidade vivida, sem explicações geopolíticas, sem histórias justificativas dos filhos de Abraão. Enas entende a minha ambição e leva-a a sério. Durante a viagem, fui tirando algumas notas, não tantas como as que desejaria hoje ler, mas as suficientes. Como primeira paragem, Enas leva-nos à aldeia do irmão, de onde, ao longe, se avista a região onde antes era a casa do pai, em terrenos férteis, rodeada de árvores e com acesso direto a água abundante — hoje um expandido e vistoso colonato judeu. A família de...

Poesia Luso-Árabe

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No ano de 1031 cai o Califado de Córdoba e o Al-Andalus divide-se em reinos independentes, que ficaram conhecidos pelo nome de Reinos de Taifas (do Árabe Muluk At-Tawaif, ou reinos fraccionados). O poder centralizado do Califado Omíada, cada vez mais dependente de uma máquina administrativa pesada e geradora de pesados impostos, aliado aos desejos de autonomia das inúmeras etnias que povoavam o Andalus, estão na origem deste fraccionamento do poder político. No Sul do território hoje ocupado por Portugal, o Gharb Al-Andalus, ou Ocidente do Al-Andalus, constituem-se quatro reinos de taifas - um grande reino na zona mais a Norte com capital em Batalyaws (Badajoz), um reino correspondendo à região do Baixo Alentejo com capital em Mârtula (Mértola) e dois reinos no actual Algarve, concretamente os reinos de Xilb (Silves) e Xantamarya Ibn Harun (Faro). É neste período que floresce uma cultura Hispano-Árabe, sobretudo ao nível da poesia, resultado de uma identidad...

Mouriscos cavaleiros e mouriscos de bens no Império Português

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O conceito de mourisco, no caso português, difere muito do conceito utilizado pelos historiadores dedicados aos moriscos espanhóis. Se, para eles, os mouriscos eram os descendentes de mudéjares nascidos na Península Ibérica, em nosso caso entendemos que o termo mourisco abrangia muçulmanos de origem diversa, batizados no cristianismo, inclusive os nascidos em Portugal. Na prática, a maioria era mesmo estrangeira, sobretudo do Norte da África, ao contrário dos mouriscos espanhóis, entre os quais predominavam os nascidos na Península. Não obstante a pobreza e degradação que, no geral, marcavam a condição dos mouriscos no reino português, incluindo os forros, é-nos possível constatar, numa amostragem de 349 réus processados pela prática do cripto-islamismo pela Inquisição, que alguns mouriscos receberam mercês e privilégios e outros e outras desfrutavam de certas posses que os fazia, por vezes, passar por gente rica. Mas, em boa verdade, poucos conseguiram superar as difíc...